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«O ungido do Senhor» não quer dizer o que lhe fazem dizer

A expressão é um travão imposto a quem fala, e não um passaporte dado a quem é falado. Saul foi ungido e rejeitado; Davi foi repreendido na cara. E há uma oração, no Livro de Mórmon, que é o retrato exacto disto tudo.

Esta é a terceira de quatro partes. Ficou dito como se constrói a meia-verdade, e quem lucra com ela. Falta a peça que a torna inatacável — e é a mais eficaz de todas, porque é a mais difícil de contestar sem parecer irreverente: declarar que um homem é o ungido do Senhor.

Dito isso, tudo o resto se arruma sozinho. Os defeitos passam a provações. Os erros passam a manobras que não compreendemos. As acusações passam a perseguição. E qualquer crente que hesite passa a ter um problema, não com um político, mas com Deus.

Aqui está a razão por que este argumento funciona: quase toda a gente já ouviu a expressão e quase ninguém foi ver de onde ela vem. Eu fui. E o que lá está é o contrário do que se lhe faz dizer.

«O ungido do Senhor» — o que a expressão quer mesmo dizer

Chegamos ao centro. De todas as peças que compõem o aparelho que descrevo neste artigo, esta é a mais eficaz, e é-o porque é a mais difícil de contestar sem parecer irreverente: declarar que um homem é o ungido do Senhor.

Dito isso, tudo o resto se arruma sozinho. Os defeitos passam a provações. Os erros passam a manobras que não compreendemos. As acusações passam a perseguição. E qualquer crente que hesite passa a ter um problema, não com um político, mas com Deus.

Aqui está a razão por que este argumento funciona: quase toda a gente já ouviu a expressão e quase ninguém foi ver de onde ela vem. Eu fui. E o que lá está é o contrário do que se lhe faz dizer.

Primeiro: a expressão é um travão, e não um passaporte

A frase «o ungido do Senhor» aparece na boca de Davi, e aparece num momento muito concreto: Davi tem Saul à sua mercê numa caverna, tem todos os motivos do mundo para o matar, e não o mata.

E disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do Senhor.

1 Samuel 24:6

Repare no sentido da frase. Davi não está a dizer «Saul pode fazer o que quiser porque é o ungido». Está a dizer «eu não posso fazer isto, porque ele é o ungido». A expressão é uma restrição imposta a quem fala, e não uma licença concedida a quem é falado.

É a diferença entre um sinal de trânsito e uma carta de condução. «O ungido do Senhor» é um sinal de STOP colocado à minha frente. Não é uma carta passada a ele.

E há um pormenor histórico que desfaz o uso moderno da frase por completo: Saul, no momento em que Davi diz isto, é um rei que Deus já tinha rejeitado. Davi sabia-o. A restrição valia à mesma — porque a restrição nunca dependeu de o rei ser bom.

Segundo: a unção não protege ninguém da obediência

Saul foi ungido por um profeta. Foi o primeiro rei de Israel. E ouviu isto:

Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender é melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.

1 Samuel 15:22-23

Não há aqui nenhuma cláusula de excepção. Nenhum «mas ele é o ungido, portanto». A unção é real, o profeta é real — e a rejeição também. «Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti.»

Se a unção protegesse alguém das consequências dos seus actos, protegeria Saul. Não protegeu. A ideia de que a unção divina imuniza um homem contra o juízo é, portanto, contrariada pela primeira unção real da Bíblia. É difícil imaginar um contra-exemplo mais frontal.

Terceiro: o ungido é repreendido na cara

E Davi, o ungido por excelência, o homem segundo o coração de Deus? Fez uma coisa terrível, e um profeta foi ter com ele:

Então disse Natã a Davi: Tu és este homem.

2 Samuel 12:7

Quatro palavras. Tu és este homem. Sem preâmbulo, sem atenuantes, sem «com todo o respeito pela vossa unção». E Davi não mandou prender Natã, nem o acusou de estar ao serviço dos inimigos de Israel, nem disse que aquilo era perseguição contra o eleito de Deus. Aceitou.

Fica assim o padrão bíblico completo, e é este:

O ungido nas Escrituras

É escolhido por Deus através de um profeta. É repreendido na cara quando erra. Pode ser rejeitado. A sua unção é um travão para os outros, nunca uma imunidade para si.

O «ungido» do movimento

É escolhido por aclamação e confirmado por um púlpito interessado. Não pode ser repreendido. Não pode ser rejeitado. A sua «unção» é exactamente aquilo que a bíblica não é: uma imunidade.

Quarto: quem declara a unção está a fazer o que Deus proibiu

Há um versículo que trata directamente do acto de olhar para um homem e concluir que Deus o escolheu. Foi dito a um profeta — a Samuel, precisamente o homem que ungiu os dois reis de que falámos — e foi dito para o corrigir:

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o rejeitei, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.

1 Samuel 16:7

Samuel, com dom profético, tinha acabado de olhar para um homem alto e bem-parecido e de concluir que era aquele. Foi corrigido. «Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura.»

Ora, o que é que faz um movimento quando declara um homem ungido? Olha para a estatura — para o carisma, para a firmeza, para a multidão que ele enche, para o modo como fala aos inimigos. Aparência, toda ela. É precisamente a operação que foi proibida a um profeta que tinha, esse sim, autoridade para a fazer.

Quinto: e mesmo a autoridade verdadeira evapora-se

Falta o texto mais duro, e vem da revelação moderna. Se lesse apenas uma passagem deste artigo, leia esta:

Eis que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. E por que não são escolhidos? Porque seu coração está tão fixo nas coisas deste mundo e aspiram tanto às honras dos homens, que eles não aprendem esta lição: Que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão. Que eles nos podem ser conferidos, é verdade; mas quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição ou exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniquidade, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem.

Doutrina e Convénios 121:34-37

Isto não é sobre autoridade falsa. É sobre autoridade verdadeira — conferida, legítima, real — e sobre o que lhe acontece no instante em que é usada para os fins errados. E os fins estão nomeados um a um: encobrir nossos pecados, satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição, exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens.

E o resultado não é uma advertência. É uma constatação: «os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem.»

Amém para a autoridade desse homem. Não «fica suspensa». Não «fica sob revisão». Acabou — e, o que é pior, acabou sem que ninguém à volta tenha dado por isso, porque o cargo continua lá.

Duas verdades escuras saem daqui. A primeira: um homem pode ter tido autoridade genuína e já não a ter, mantendo intactos o título, o púlpito e a multidão. A segunda, que é a mais desconfortável, está nos versículos seguintes:

Aprendemos, por tristes experiências, que é a natureza e índole de quase todos os homens, tão logo suponham ter adquirido um pouco de autoridade, começar a exercer imediatamente domínio injusto. Portanto, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.

Doutrina e Convénios 121:39-40

«É a natureza e índole de quase todos os homens» — quase todos. Não uma minoria corrompida. Não os outros. A revelação não diz que há homens maus que abusam do poder; diz que abusar do poder é o que quase todos os homens fazem quando o obtêm, e que aprender a não o fazer é a excepção rara a que se chama «ser escolhido».

Contra este pano de fundo, a pergunta muda de forma. Não é «será que aquele homem é o ungido de Deus?». É: o que é que, na conduta observável daquele homem, o coloca na excepção em vez de na regra? E essa pergunta tem resposta, e a resposta vê-se.

O Rameumptom, ou a oração dos eleitos

Há no Livro de Mórmon uma cena que, quando a li pela primeira vez com estes olhos, me obrigou a pousar o livro. É um retrato — feito há dois mil anos, sobre um povo que não existe mais — de exactamente aquilo de que este artigo trata.

Alma e os seus companheiros chegam à terra dos zoramitas e encontram uma congregação organizada, respeitável, com dia de culto e tudo:

Ora, quando chegaram à terra, eis que notaram, com grande espanto, que os zoramitas haviam construído sinagogas e que se reuniam certo dia da semana, ao qual chamavam dia do Senhor; e adoravam de um modo que Alma e seus irmãos ainda não haviam visto; Pois haviam construído no centro de sua sinagoga um local para ficarem de pé, que ficava mais alto que a cabeça, em cuja parte superior só cabia uma pessoa. Portanto, quem desejasse adorar devia subir nessa plataforma e estender as mãos para o céu e clamar em alta voz, dizendo:

Alma 31:12-14

Guarde a arquitectura, porque a arquitectura é a mensagem: um lugar elevado, mais alto do que a cabeça, e em cima só cabe uma pessoa. Não é um púlpito para ensinar uma assembleia. É um palco para ser visto por ela. E o que se diz lá de cima é isto:

Santo Deus, cremos que nos separaste de nossos irmãos; e não cremos nas tradições de nossos irmãos que lhes foram transmitidas pela infantilidade de seus pais; mas cremos que tu nos elegeste para sermos teus santos filhos; e também nos fizeste saber que nenhum Cristo haverá. Mas tu és o mesmo ontem, hoje e para sempre; e elegeste-nos para sermos salvos, enquanto que todos ao nosso redor foram escolhidos para serem, pela tua ira, lançados no inferno; por essa santidade, ó Deus, agradecemos-te; e também te rendemos graças por nos haveres elegido, a fim de que não sejamos desencaminhados pelas tolas tradições de nossos irmãos que os forçam a crer em Cristo, afastando-lhes o coração para longe de ti, Deus nosso! E novamente te rendemos graças, ó Deus, por sermos um povo eleito e santo. Amém.

Alma 31:16-18

Desmonte-se esta oração linha a linha, porque cada linha é uma peça do aparelho:

  • «cremos que nos separaste de nossos irmãos» — a separação vem primeiro, e é atribuída a Deus. Não somos nós que nos afastámos; foi Ele que nos distinguiu.

  • «não cremos nas tradições de nossos irmãos… pela infantilidade de seus pais» — o outro não está apenas errado: é infantil. É a desqualificação do adversário como incapaz, que dispensa a obrigação de o ouvir.

  • «elegeste-nos para sermos salvos, enquanto que todos ao nosso redor foram escolhidos para serem, pela tua ira, lançados no inferno» — aqui está, com todas as letras. A eleição de uns é dita ao mesmo tempo que a condenação dos outros, e as duas coisas são a mesma frase.

  • «por essa santidade, ó Deus, agradecemos-te» — e agradecem. A condenação do próximo é matéria de gratidão litúrgica.

E depois vem o versículo que transforma a cena de escândalo em sistema:

Pois eis que cada um se adiantava e proferia essas mesmas orações.

Alma 31:20

Cada um se adiantava e proferia essas mesmas orações. Não é a arrogância de um homem. É um guião, repetido semanalmente por toda a gente, do alto de uma estrutura construída para o efeito. Ninguém ali inventou nada. Cada um subiu e disse o que se diz.

Se quiser saber se está diante de um Rameumptom, não olhe para a doutrina. Olhe para três coisas: se há um lugar de onde só uma pessoa fala, se o que se diz de lá é sempre o mesmo, e se o conteúdo da oração inclui a condenação de quem não está na sala.

«Esses são do diabo»

A outra metade do aparelho. Se um lado declara o nosso homem ungido, o outro declara o adversário demoníaco — e as duas afirmações são a mesma afirmação dita duas vezes, porque cada uma só se sustenta com a outra.

Esta acusação também tem origem bíblica, e também ela diz o contrário do que se lhe faz dizer. Vale a pena ver quem a fez primeiro, e a quem.

Mas os fariseus, ouvindo isso, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?

Mateus 12:24-26

Está tudo aqui. Um homem faz uma obra boa — expulsa demónios, quer dizer, liberta alguém — e os religiosos oficiais da sua época não conseguem negar que a obra aconteceu. Então fazem a única coisa que resta: não negam o facto, atribuem-lhe a origem errada. «Ele faz isto por Belzebu.»

É a mesma operação, exactamente. Não se discute se o que o outro diz é verdade. Discute-se de que espírito ele vem. E a vantagem retórica é enorme, porque um facto pode ser verificado e uma origem espiritual não pode.

Repare agora no que Jesus faz a seguir, porque é a lição prática: responde com um raciocínio. Não retribui a acusação. Não diz «vós é que sois de Satanás». Diz: todo reino dividido contra si mesmo é devastado — e mostra que a acusação não se aguenta de pé por razões lógicas. A resposta à acusação espiritual foi um argumento.

O versículo que os acusadores usam

Sejamos honestos com o texto que joga contra nós, porque é o que se cita sempre para justificar isto:

Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.

Mateus 12:30

É um versículo real, é duro, e não o vou suavizar. Mas repare no sujeito da frase. «Quem não é comigo» — comigo, Cristo. A frase divide o mundo em relação a uma Pessoa, e essa Pessoa não é um candidato, um partido, um pastor ou um movimento.

Todo o erro está numa substituição de uma palavra. Ponha-se o nome de um homem onde está «comigo» e a frase continua a soar a Escritura e passou a dizer uma coisa que a Escritura não diz. É a meia-verdade na sua forma mais pura: o versículo é verdadeiro, a citação é exacta, e a aplicação é uma mentira.

Jesus usou mesmo a expressão — e disse com que critério

É verdade que a frase existe na boca de Cristo:

Vós tendes por pai o diabo, e quereis realizar os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade, porque não há verdade nele; quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.

João 8:44

Mas veja-se o que Ele põe a seguir aos dois pontos, porque é o critério, e é o que nunca se cita: homicídio e mentira. «Ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade… quando fala mentira, fala do que lhe é próprio.»

O teste que Jesus dá não é a filiação. Não é o voto. Não é discordar d'Ele em matéria de política do templo. É matar e mentir — duas condutas observáveis. Quem quiser usar João 8:44 tem de usar o critério de João 8:44, e o critério não aponta para onde costuma ser apontado.

O critério completo, que resolve a questão

E há uma passagem que dá o teste inteiro, para se saber o que é de Deus e o que é do diabo, sem depender de quem o afirma:

Pois eis que o Espírito de Cristo é concedido a todos os homens, para que eles possam distinguir o bem do mal; portanto, vos mostro o modo de julgar; pois tudo o que impele à prática do bem e persuade a crer em Cristo é enviado pelo poder e dom de Cristo; por conseguinte podeis saber, com um conhecimento perfeito, que é de Deus. Mas tudo que persuade o homem a praticar o mal e a não crer em Cristo e a negá-lo e a não servir a Deus, podeis saber, com conhecimento perfeito, que é do diabo; porque é desta forma que o diabo age, pois não persuade quem quer que seja a fazer o bem; não, ninguém; tampouco o fazem seus anjos; nem o fazem os que a ele se sujeitam.

Morôni 7:16-17

«Vos mostro o modo de julgar» — e o modo é este: o que impele à prática do bem e persuade a crer em Cristo é de Deus; o que persuade a praticar o mal e a não crer é do diabo. A pergunta deixa de ser «de que lado ele está?» e passa a ser «para onde é que isto me está a empurrar?».

Aplique-o à mensagem que o convence de que o seu vizinho é demoníaco. Essa mensagem impele-o à prática do bem? Torna-o mais capaz de amar? Aproxima-o de Cristo, ou de uma facção? A resposta costuma ser instantânea, e costuma ser incómoda.

A prudência que um arcanjo teve e um púlpito não tem

E fica o texto que me parece o mais eloquente de todos sobre a leviandade com que se distribuem estas acusações:

Porém Miguel, o arcanjo, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; porém disse: O Senhor te repreenda.

Judas 1:9

Miguel, o arcanjo. A discutir com o diabo em pessoa. E não se autoriza a pronunciar contra ele um juízo de maldição — remete-o para Deus: «O Senhor te repreenda.»

Se um arcanjo não pronunciou juízo de maldição contra Satanás, um homem ao microfone não tem autorização nenhuma para o pronunciar contra o vizinho que vota noutro sentido.

E a acusação volta-se

Há por fim um versículo que, sobre este assunto, faz o que nenhum outro faz: identifica um espírito concreto com o diabo, e não é o espírito que se costuma apontar.

Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros.

3 Néfi 11:29

Leia devagar. Não diz que quem discorda é do diabo. Diz que quem tem o espírito de discórdia é do diabo — «que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros».

Ou seja: a Escritura atribui ao diabo precisamente a disposição que caracteriza quem mais alto grita que os outros são do diabo. A cólera. A vontade de contender. A energia de dividir.

E há uma última peça, que Isaías escreveu e que descreve a operação inteira numa linha:

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, e da luz, trevas; e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!

Isaías 5:20

Não é sobre fazer o mal. É sobre trocar os nomes — chamar bem ao mal e mal ao bem, luz às trevas e trevas à luz. É a corrupção da linguagem antes da corrupção da conduta, porque quando os nomes estão trocados já ninguém consegue descrever o que está a acontecer.

Continua na parte 4 — O teste dos frutos, e quatro perguntas para usar amanhã.


Este texto desenvolve a introdução e os capítulos 2 e 7 de O Altar e o Algoritmo — Como Identificar os Novos Mercadores da Fé. As passagens em destaque são citações do livro. Todas as Escrituras citadas foram conferidas contra a edição publicada pela Biblioteca do Evangelho — a Bíblia de João Ferreira de Almeida na versão que a Igreja utiliza, o Livro de Mórmon e Doutrina e Convénios. Os doze capítulos tratam do resto: os mercadores, o dinheiro, o púlpito transformado em palanque, a milícia digital paga, e o caminho prático para sair.


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