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Fé e sociedade 4 min

Pelos seus frutos: Donald Trump

O 6 de janeiro, o perdão aos invasores do Capitólio, as crianças separadas dos pais, a Gronelândia, as tarifas contra o Brasil e o avião de Flávio Bolsonaro.

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Pelos seus frutos: Donald Trump

Donald Trump é o centro de gravidade da nova direita mundial. Muitos dos que o apoiam no Brasil e em Portugal fazem-no em nome da fé, e há pastores que o apresentam como um enviado de Deus. Vale a pena olhar para os frutos — incluindo os que caíram diretamente sobre o Brasil.

Donald Trump: os factos, com fontes
Donald Trump: os factos, com fontes

Uma eleição perdida que não aceitou

Em 2020, Trump perdeu a eleição e afirmou, sem provas, que tinha havido fraude. Mais de sessenta processos em tribunal, vários decididos por juízes que ele próprio nomeara, não lhe deram razão. A 6 de janeiro de 2021, depois de um discurso dele em Washington, os seus apoiantes invadiram o Capitólio para impedir a certificação do resultado. Polícias foram agredidos; o país assistiu em direto.

No primeiro dia do segundo mandato, a 20 de janeiro de 2025, Trump perdoou ou comutou as penas de cerca de 1 500 pessoas condenadas por esse ataque — incluindo algumas que tinham agredido polícias. A mensagem para os seus seguidores foi clara: atacar a democracia em nome dele não tem consequências.

Repare na semelhança com o Brasil. Dois anos depois do Capitólio, a 8 de janeiro de 2023, os apoiantes de Bolsonaro fizeram o mesmo em Brasília. Não é coincidência: é o mesmo guião.

As crianças da fronteira

Em 2018, a política de «tolerância zero» passou a processar criminalmente todos os adultos que atravessavam a fronteira sem autorização. Como as crianças não podiam ir para a prisão com os pais, foram separadas deles. Foram milhares. O próprio inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna concluiu que o governo nem sequer conseguia dizer ao certo quantas famílias tinha separado — e houve pais deportados sem os filhos.

No segundo mandato, a polícia de imigração passou a operações de detenção em massa. É o mesmo governo que, em outubro de 2026, abriu a porta a um político estrangeiro amigo do presidente — já lá vamos.

Territórios dos outros

Em janeiro de 2025, antes de tomar posse, Trump recusou excluir o uso da força militar ou económica para ficar com a Gronelândia, território da Dinamarca, um aliado da NATO, e com o Canal do Panamá. Repetiu também que o Canadá devia tornar-se o «51.º estado» americano. Para quem lê a Carta da ONU, isto não é retórica inocente: o artigo 2.º proíbe a ameaça do uso da força contra a integridade territorial de qualquer Estado.

O que fez ao Brasil

Em julho de 2025, a pedido de Eduardo Bolsonaro, que se tinha mudado para os Estados Unidos, o governo Trump tomou três medidas em poucas semanas: revogou vistos de juízes brasileiros, aplicou ao ministro Alexandre de Moraes as sanções da Lei Magnitsky — feitas para punir violadores de direitos humanos — e anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A carta que comunicou a tarifa, de 9 de julho de 2025, não invocou nenhuma razão económica: invocou o julgamento de Jair Bolsonaro, a que chamou «caça às bruxas». Quem pagou a fatura foram os produtores de café, carne, frutas e calçado. Parte das tarifas só foi retirada em novembro de 2025, depois de meses de negociação do governo brasileiro.

O avião de Flávio

Em outubro de 2026, Flávio Bolsonaro perdeu a eleição e, proibido pelo Supremo de sair do país, saiu de noite pela Argentina. Segundo o New York Times e o Wall Street Journal, o jato que o levou até Miami foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação ligado à Casa Branca, em contacto com Eduardo Bolsonaro. O dono da companhia disse à AFP que a viagem — 150 mil dólares — foi paga a partir de uma conta num banco americano. A família foi admitida com uma autorização para ficar até um ano. Trump disse que aprovava a entrada: «acho que são boas pessoas; a eleição foi muito estranha». Não apresentou nenhuma prova do que achou estranho.

Nem todos os americanos aplaudiram. Nas redes, muitos responderam com a hashtag #DeportTheBolsonaros, lembrando que o mesmo governo que caça imigrantes pobres abria a porta, e mandava o avião, a um político estrangeiro amigo do presidente.

«Se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois condenados pela lei como transgressores.»

Tiago 2:9

«Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?»

Mateus 7:16

Este artigo faz parte da série que acompanha o livro O Altar e o Algoritmo — Como identificar os novos mercadores da fé. A regra é a mesma do livro: separar o facto provado da suspeita e da negação da defesa, e pôr a fonte ao lado de cada afirmação.

A série «Pelos seus frutos»

Fontes

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